domingo, 1 de fevereiro de 2009

Eu Me Levanto


Eu me levanto.
Você pode escrever a minha história com o seu amargor e mentiras.
Você pode me atirar na lama.
Mas, ainda assim, como poeira, eu me levanto.
Você acha que a minha sensualidade incomoda?
Por que você está tão cheio de rancor, tão entristecido e desanimado?
Porque eu vou caminhar como se eu tivesse poços de petróleo na minha sala de estar.
Como a lua e o sol, com a certeza das marés e com esperança.
Pulando bem alto, ainda assim eu me levanto.
Você quer me ver quebrada e com a cabeça e os olhos baixos,
Com os ombros caídos,
Com as lágrimas e enfraquecida pelo meu choro.
A minha dureza ofende você?
Não fique tomando isso como se fosse uma coisa ruim.
Porque eu sorrio como se tivesse minas de ouro em meu quintal.
Você pode me atirar as suas palavras.
Você pode me cortar com seu olhar.
Você pode me matar com o seu ódio.
Mas, ainda assim, como o ar, eu me levanto.
Minha sensualidade incomoda você?
Isso vem como surpresa.
Eu danço como se tivesse diamante no ponto de encontro das minhas coxas.
Fora da vergonha da história eu me levanto bem alto.
Encontro o passado que está enraizado na dor.
Eu me levanto. Eu sou um oceano negro
Indo bem alto e longo, inchando, eu seguro as marés.
E, deixando de lado as noites de terror e de medo,
Eu me levanto ao nascer da manhã que é maravilhosamente clara,
Eu me levanto trazendo os presentes que meus ancestrais me deram,
Eu sou o sonho e a esperança do escravo,
Eu me levanto...

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